O samba da raposa marrom do latim antigo? NO NO NO!

Quase certeza que você já deve ter se deparado com a frase “The quick brown fox jumped over the lazy dog“, ou já tentou ler um texto estranho que começava mais ou menos assim: “Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit…“. Se sim, e se achou tudo isso muito estranho, saiba que essas formas de preenchimento de texto podem ser bastante úteis para a vida de um designer e que existe sentido em tudo isso. 

Para entender tais textos, precisamos falar um pouco sobre o processo de desenvolvimento de um produto gráfico, em especial os que possuem texto. Um produto é constituído de forma e conteúdo. O ideal para todos seria que o conteúdo viesse já todo pronto e que restasse aos designers e desenvolvedores , apenas o produto. Legal, né? Até seria realmente uma forma indicada de se trabalhar, mas infelizmente vivemos em um mundo com prazos estourados e conteúdo passíveis de revisões e não podemos nos arriscar colocando um texto no layout final sem que ela seja realmente o definitivo.

É aí que entram essas frases “malucas” que citamos no início do texto, que nada são do que textos para teste de preenchimento tipografico. Enquanto o produto está sendo diagramado e o texto revisado, os designers utilizam tais textos para ter uma real noção do seu comportamento e leitura sem o risco de enviar um texto sem revisão para a gráfica ou publicação.

A Raposa Rápida

A frase “The quick brown fox jumps over the lazy dog” é uma das mais utilizadas hoje em dia para teste de tipografia.

A Microsoft utiliza a frase em seu catálogo de fontes. Na pasta de fontes, ao abrir qualquer fonte, você verá a dita frase. Se quiser impressionar alguém, digite o seguinte código no Microsoft Word =rand(2,5) que você terá um texto de 2 parágrafos e com 5 sentenças da mesma frase. Legal, né?

Olha a raposa marrom no vizualizador de fontes do Linux.

Por quê todo esse auê com uma única frase? Simples. A frase da raposa é o que chamamos de Pangrama, ou seja uma sentença que possui todas as letras do alfabeto. Assim, a pessoa pode conferir todas as letras de uma fonte utilizando uma única frase.

Os pangramas surgiram junto com a tipografia, sendo um meio prático de todos os caracteres de uma família tipográficae e uma forma de exercício para novatos no ofício.

Reza a lenda que a primeira vez que a frase foi utilizada foi em 1885, no The Michigan School Moderator, jornal da citada escola. A idéia já era utiliza-la como técnica de escrita.

Outro fator que fez com que a frase ganhasse destaque foi a utilização na década de 1950 pela The Western Union Company que utilizava a mensagem “A QUICK BROWN FOX JUMPS OVER THE LAZY DOG 0123456789” como mensagem de teste de seus telégrafos.

Alguns pangramas de Português:

  • Um pequeno jabuti xereta viu dez cegonhas felizes.
  • Blitz prende ex-vesgo com cheque fajuto.
  • Gazeta publica hoje breve nota de faxina na quermesse.

Pangramas em outras línguas:

  • Em espanhol: David exige plazo fijo, embarque truchas y niños New York.
  • Em francês: Portez ce vieux whisky au juge blond qui fume.
  • Em alemão: Zwölf Boxkämpfer jagen Viktor quer über den großen Sylter Deich.

O Latim mais antigo do que você imagina

Diferente da Raposa Marrom, o Lorem Ipsum não é um pangrama e, sim, um texto em latim arcaico que também é utilizando para preenchimento de texto.

Uma outra diferença do “Lorem Ipsum” para “Quick Brown Fox” é que além de demonstrar todas as letras do alfabeto, o Lorem Ipsum também demonstra muito bem a fluidez do texto.

De fato, o texto é usado também desde os primórdios da tipografia para facilitar a avaliação das escolhas tipográficas e verificando se elas desenvolveram uma boa legibilidade do texto.

Na verdade, O Lorem Ipsum não é um texto qualquer em latim e, sim, segundo Richard McClintock partes modificadas de “Os Extremos do Bem e do Mal” escrito por Marcus Tullius Cicero, ou apenas Cícero, em 45 A.C.

O original é o seguinte:

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Traduzindo para o português seria algo como:

Não há ninguém que ame a dor por si só, que a busque e queira tê-la, simplesmente por ser dor…

O certo é que de tão usado, o texto começou a ser criticado e amado (algo parecido com a história da Comic Sans). E que também acabou virando uma pequena mania com loja de produtos, etc.

A principal crítica feita é que o texto acabou ficando natural, passando “batido” aos olhos de designers e clientes, e que ao final, quando o texto é substituído pelo final, há algo que não foi percebido e que acaba chagando ao leitor final.

E o Nonono?

O NONONO foi é um texto usado como o Lorem Ipsum. Infelizmente esse texto é bem inferior em qualidade como texto de preenchimento. Não recomendamos o seu uso por não mostrar todos os caracteres de um alfabeto e também por não demonstrar a fluidez do texto.

Quer uma dica? Um texto com tantos nãos (no, em inglês) só pode ser muito prejudicial, né?

Extras:

Para quem gostar, pode ver o vídeo da verdadeira raposa marrom pulando sobre o cachorro preguiçoso. Muito bom! =)

Ah! A referência da imagem de abertura do texto é essa aqui: http://shirt.woot.com/derby/entry.aspx?id=30785

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2 comentários sobre “O samba da raposa marrom do latim antigo? NO NO NO!

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