AMOR CONTROVERSO AMOR – PARTE 02

Nesse segundo post sobre a Comic Sans, falaremos sobre a relação de amor e ódio que a fonte provoca. Para quem perdeu, este é o segundo post de uma série sobre a fonte de Vicent Connare. Quem quiser ler o primeiro post, basta clicar aqui.

O início do ódio

Foi a partir do uso desvairado que o problema começou. Se antes a Comic Sans era uma fonte inofensiva e infantil, depois ela era quase onipresente. Ocupando espaços para o qual ela não havia sido pensada.

O próprio Vincent Connare, criador da fonte, afirma em seu site que a Comic não foi desenhada para ser uma família tipográfica mas apenas uma solução para um problema específico, as caixas de texto do MS Bob. Para se ter uma ideia, não havia sequer a intenção de usar a Comic em outros programas.

Em 1999, Holly Sliger, da escola Herron de Arte e Design, em Indianápolis, estudava tipografia e design gráfico, ficou horrorizada quando seu chefe pediu que ela usasse Comic Sans para um guia da galeria do Hands On Children’s Museum, ali ela percebeu que a fonte havia se transformado em uma epidemia. Durante o projeto ficou conhecendo seu futuro marido, Dave Combs, graduado em designer gráfico, com quem discutia sobre o assunto. Foi daí que nasceu um dos mais fortes protestos contra a fonte, o movimento Ban Comic Sans.

Vamos odiar a fonte, mas ganhar grana com isso é um pouco demais, né?

Outra página que prega o fim do uso desregrado da Comic Sans é a Comic Sans Criminals, que entre outras dicas, tem uma série de alternativas para a fonte.

Matar a cobra e mostrar o pau. O pessoal do Comic Sans Criminal mostra porque a fonte é ruim e ainda apresenta alternativas. Melhor, né?

Motivos para o ódio

Famílias tipográficas são criadas sempre para representar algo. Alguns focam na legibilidade em todos os tamanhos, outros são específicos para tamanhos pequenos. Ainda há aquelas fontes meramente decorativas. Basta buscar um pouco sobre uma fonte para saber sobre ela.

O Comic Sans é classificada como uma fonte casual, relaxada, infantil, de script não-conectivo (as letras não se conectam) e foi criada para imitar a escrita a mão em histórias em quadrinhos e para um uso em documentos informais.

Tomemos o exemplo da Times New Romam. Ela é uma fonte séria e pequena. Neste caso, você não deveria utilizá-la para um convite de festa de uma criança de 5 anos. Ok?

Se é assim, e se a Comic Sans é tudo isso que falamos, por que uma pessoa utilizaria essa fonte um diagnóstico de médico ou cartaz de uma igreja?

Outra parte disso vem de sua ubiqüidade que leva ao uso abusivo. Também argumenta-se que ela é tão irritantemente simples que parece que foi escrita por uma criança pequena. A Helvética, por exemplo, está em todo lugar, mas geralmente apresenta um ar moderno de sofisticação. Enquanto isso, a Comic Sans gargalha e pede para ser impressa totalmente colorida, causando repulsa em qualquer designer um pouco mais experiente.

Para não falar de aspectos apenas estéticos (a fonte não foi devidamente planejada) ou culturais (seu uso massivo), devemos buscar aspectos técnicos. O tipógrafo Todd Klein fez uma análise técnica sobre a fonte. Entre os principais pontos, podemos ressaltar tanto o kerning como o peso da fonte como inconsistentes, levando a uma aparência casual demais em grandes áreas de texto aberto.

E agora?

Apresentada a origem e história da fonte e também os movimentos de repúdio à fonte, só nos resta discutir um pouco sobre o assunto. No próximo post, o último, da série discutiremos um pouco sobre o assunto. Até lá.

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3 comentários sobre “AMOR CONTROVERSO AMOR – PARTE 02

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