Guia de Seleção de Tipos para Pessoas Comuns

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Introdução

Uma grande dificuldade quando se começa um projeto gráfico, especificamente no processo de seleção de fontes, é que quase todo texto é extremamente genérico ou detalhista. Nesse momento, uma pessoa comum, alguém sem muita experiência ou que não é e nem pretender ser um tipógrafo, fica totalmente perdido. Ou ele não entende nada ou então é exigido dele um conhecimento prévio que não existe ainda.

Ainda que guias práticos sejam quase sempre superficiais, resolvi escrever sobre isso. Como base do texto, estou usando um artigo de 2005 de um cara chamado Cameron Moll. Essas e outras referências estão listadas no final do post. 

 Existe uma receita de bolo?

Muito cuidado ao encontrar qualquer fórmula dessas em textos. Nada é fácil. Em comunicação visual – onde está a a tipografia – , aí é que realmente tudo é mais difícil.

Imagem de livro falso
Não. Esse livro não existe. Provavelmente nunca existirá.

A tal fórmula mágica colocada aqui não é tão mágica e, no final, vai exigir de você um pouco de conhecimento prévio, de cultura visual. Assim, antes da própria fórmula aí vai a dica de ouro para qualquer pessoa que quer trabalhar com projetos gráficos:

 Fique atento a qualquer forma de adquirir cultura visual. 

Vá a exposições, busque bons catálogos, conheça o trabalho de bons artistas e profissionais da área. Isso certamente serra mais útil do que qualquer fórmula que alguém te mostrará. Ou fará com que ela realmente se torne útil.

 A fórmula de ouro da seleção tipográfica

  1. Faça uma lista de tipos “familiares” que você confia e sabe que funcionará bem em uma variedade de projetos.
  2. Faça uma lista de tipos “não-familiares” que podem atender a objetivos específicos de determinados projetos.
  3. Teste cada tipo em tamanhos grandes e pequenos.
  4. Teste em Caixa Alta e em Caixa Baixa

O processo pode ser aplicado ao design digital ou ao impresso. Tenha à mente sempre que a legibilidade (falaremos disso em um outro tópico) de uma fonte pode variar bastante dependendo do suporte utilizando.

Abaixo passaremos a explicar cada um dos tópicos da regra com mais detalhes.

1. Selecionando Fontes “Familiares”

Em todo projeto, especialmente aqueles que encaramos no início dos nossos estudos, quando temos muito entusiasmos e pouca experiência, começamos com a vontade de criar algo com a responsabilidade de mudar o mundo, mudar as regras. Calma!

Certa vez, recebi de um professor de Redação Publicitária uma dica que até hoje eu levo adiante:

O Bolo é feito com os mesmos ingredientes. O que muda é a forma que eles são usados. 

O que ele quis dizer foi que não é necessário buscar algo novo e surpreendente para tentar impressionar, aprenda a fazer o bem feito primeiro, com aqueles mesmo ingredientes outrora usados.

Em outras palavras: Não tente reinventar a roda. Comece pelo o que você está familiarizado e confia da experiência em projetos anteriores. Não tem projeto anterior? Ganhe repertório. Siga a dica que coloquei lá em cima.

O conjunto citado pelo Cameron Moll de fontes “familiares” é relativamente pequeno e ao mesmo tempo, o conjunto conhecido há um bom tempo.

Dica de fontes “familiares”: Garamond, Frutiger, Edwardian Script, Trade Gothic, Helvética, entre outras.

Lembre-se: A escolha de uma boa família tipográfica é a forma mais fácil de detectar um bom – e mal – design. 

Assim, é sábio começar com tipos confiáveis mesmo. A Frutiger, foi criada pelo tipógrafo suíço Adrian Frutiger em 1972 para ser aplicada na sinalização do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle de Orly, Paris , ainda com o nome de Roissy. Esse contexto nos dá uma ideia de que é uma letra legível a uma variedade de tamanhos, por exemplo.

Adrian Frutiger e sua fonte em Paris

Uma simples busca pela origem de uma família pode trazer boas respostas. Tente uma busca em sites como Tipografos.Net. Já é um bom começo. Outro bom local para a busca é na página do Andrew Keir.

Outras fontes possíveis: Trajam Pro, Avenir, Fette Engschrift e Bickham Script Pro.

2. Seleção de tipos “não-familiares”

Essa é a parte mais trabalhosa mas, ao mesmo tempo, pode ser a mais agradável e divertida. A técnica parece com outras como a de seleção de fotos ou cores; você deve entender as necessidades do projeto e, a partir daí, escolher tipos que podem atender a essas necessidades.

Atenção: Nada de buscas aleatórias, em um projeto isso é perda de tempo. Primeiro identifique as necessidades e só depois saia à busca tendo sempre em mente o que se quer.

Uma boa fonte de busca são sites para download de fontes (aqui estamos assumindo que o projeto é pequeno o suficiente para não ter custo para comprar fontes) ou páginas e livros com listas de boas fontes. Aqui no blog, já indicamos a lista das 100 melhores fontes de todos os tempos.

Se tudo der errado, a sugestão de Cameron Moll é que você dê uma passada no Veer. Lá existe uma séries de referências para uso das fontes que ajudam bastante.

3. Teste tamanhos grandes e pequenos

Essa etapa é crucial para determinar qual tipo funcionará para o projeto. As vezes uma fonte funciona muito bem para tamanhos grandes (por exemplo, manchetes ou títulos) mas não para textos pequenos (por exemplo, texto de botões ou legendas) e vice-versa.

Nesse caso, segundo o autor, se você testar a fonte Avenir verá que ela funciona muito bem em manchetes mas não para textos de botões. A Frutiger, por outro lado, tende a funcionar muito bem em ambos.

4. Teste MAIÚSCULAS e minúsculas. Não esqueça das numerações, caracteres especiais e acentuados. 

Esse é um teste simples mas muito importante para determinar a fonte. Algumas podem não funcionar em maiúsculas.

Como o texto foi escrito em língua inglesa, não houve uma atenção especial para a questão da acentuação. É extremamente importante que, antes de começar, você observe o tipo por completo, verificando acentos e também as variações da família.

5. Saiba colocar um ponto final da sua busca

Ao final do processo, você deverá acabar com uma planilha de demonstração de tipos, como essa que mostramos abaixo; ou você poderá ir direto ao Photoshop ou Illustrator para testar in loco cada uma das escolhas. Existem ainda ferramentas on-line para auxiliar no processo. Exemplo? Tente o TypeTester, por exemplo.

Imagem com exemplo de Teste de Fontes
Com um estudo desses fica mais fácil, né?

A partir daí, escolha um tipo para o seu projeto. Você pode pensar em duas fontes também. Três seria um caso especial e acima disso, totalmente desaconselhado. Depois disso, esqueça os estudos e foque somente no que foi escolhido.

——-

Bom, é isso. Como disse, nada de receita de bolo ou formula mágica, mas ainda assim um ótimo guia para quem está começando e precisa de um norte para se basear.

Referências:

http://www.cameronmoll.com/archives/000240.html
http://www.andrewkeir.com/10-sans-typefaces-for-designers/
http://lestaret.wordpress.com/2009/03/13/new-york-vernacular/
http://www.tipografos.net/tipos/index.html
http://www.typetester.org/

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3 comentários sobre “Guia de Seleção de Tipos para Pessoas Comuns

  1. Queria saber também, além de dicas de como escolher uma boa família tipográfica, como fazer para combinar tipos de diferentes famílias de forma que elas, embora diferentes, estejam em harmonia e não fiquem competindo entre si

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